quarta-feira, 3 de abril de 2013

De vendedor de rua a dono da Microcamp


São Paulo - Nos últimos 35 anos, o paulistano Eloy Tuffi já foi distribuidor de meias, vendedor de enciclopédias e dono de uma discoteca em Campinas. "Fiz um pouco de tudo, mas a maioria dos negócios que abri na minha juventude não deu certo", diz ele. "Precisei recomeçar do zero tantas vezes que até fui chamado de pau de sebo, porque eu subia, subia e depois caía."

Foi como dono de escolas de idiomas e de informática que Tuffi encontrou o rumo do crescimento. Aos 60 anos, hoje ele é dono da Microcamp, uma rede formada por 160 unidades, das quais quase dois terços são franqueadas. Nesta entrevista a Exame PME, Tuffi conta um pouco de sua trajetória como em­preendedor e quais são seus planos para o futuro.

" Muita gente pensa que meu sobrenome é árabe. Na verdade, sou des­cendente de italianos. Nasci na Mooca e me criei no Tatuapé, dois bairros paulistanos tradicionalmente ocupados por famílias de origem italiana. Sou o mais velho de seis irmãos. Meu pai revendia roupas e meias para comerciantes da rua 25 de Março, no centro de São Paulo. Todos os anos, no auge do verão, ele procurava as fábricas e comprava um montão de meias de lã para revender. Aprendi com ele que meia de lã se compra no verão para vender no inverno.

Comecei a trabalhar com meu pai aos 16 anos. Ainda era jovem e achei muito difícil conciliar trabalho e estudos. Ao completar o que hoje é o equivalente ao ensino médio, decidi sair do colégio. Meu pai era um ótimo negociante e me ensinou muita coisa que jamais aprenderia na escola. Havia apenas um problema: eu trabalhava e ele ficava com o dinheiro. Então achei melhor deixar o negócio da família e fui trabalhar como vendedor por conta própria.

Dos 18 aos 23 anos, trabalhei vendendo livros para editoras e distribuidoras e cursos de inglês para uma escola da Mooca. Nessa escola aprendi de tudo, menos a falar inglês. Vendia os cursos, coordenava a equipe comercial, comprava e vendia o ma­terial didático. Quando compreendi como o negócio funcionava, resolvi abrir minha própria escola de inglês. Convidei o rapaz que fazia as apostilas da escola em que trabalhava para ser meu sócio. Na época, eu tinha 24 anos.

Minha estratégia era cobrar preços acessíveis para conquistar mais alunos. Em menos de um ano, as salas de aula estavam lotadas e abri uma filial no bairro paulistano de Pinheiros. As coisas só não estavam completamente tranquilas porque isso criou uma desavença com meu antigo patrão — não ajudava muito o fato de ter aberto minha escola no mesmo prédio em que ele tinha a dele.


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